O CONFRONTO QUE LEVA À PAZ


Pela segunda vez em menos de meio ano, "apresentei" o meu livro "Memória de Pedra" a um grupo de alunos da escola onde leciono.
Sob o pretexto do "Dia Mundial do Livro" que se assinalou ontem, 23 de abril, lá estive eu, atrás de uma mesa coberta por um pano azul escuro e sobre ela uma caneta, um bloco de notas que me persegue como uma segunda sombra, e o livro.
Não tenho o meu livro.
Não o tenho no sentido total da afirmação. Não possuo nenhum exemplar a que chame meu. É um despojamento estranho mas concreto, real.
Digo, para o justificar e tentando a graça, que
"- Não simpatizo com o autor!"
e portanto, pela segunda vez mantive aberto confronto com o livro, do qual me mantive afastado quase dois anos, exatamente desde maio de 2016, altura em que o "apresentei" pela primeira vez.
Depois de um período de "nojo" sobre tudo o que a ele dissesse respeito, a perspetiva lentamente mudou. 
Não sobeja orgulho industrial nem auto-masturbação mais ou menos filha do caos de sentimentos, mas também não o cubro de desdém ou vergonha.
Estou ali eu, a forma como pensei e vi e ouvi naquele intervalo de tempo que o livro comporta.
E algumas coisas que lá estão escritas, poderiam ter sido escritas ontem ou amanhã, porque dão conta de como são ou não são segundo o meu entendimento. Outras são profundamente estanques, ao longe quase injustas ou desprovidas do ajuste da verdade, porque estão completamente presas ao tempo, ao seu tempo.
O livro, aquele livro com que, finalmente, concordei estar em paz, existe. Tem coisas boas, tem coisas más
más no sentido de serem fruto de determinadas circunstâncias,
más no sentido em que poderiam ser mais bem escritas
mas, tal como disse hoje, ele existe, tem um corpo, pode ser tocado, cheirado, guardado, atirado ao lixo.
E pode ser lido. E através do seu conteúdo, contribuir para que se perceba o olhar, o sentir, o entender de um cidadão comum, livre, finito, limitado, cheio de dúvidas, que estabelece relações muito próprias
" - És um tipo estranho!..."
com o mundo e as com as suas mais diversas expressões.

© AL.2018

Comentários

  1. ès de facto um tipo estranho... ou, talvez não... Abraço 5513

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  2. [Respondi no "post" dos sketches :) ]

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