AVIÕES - Portugal vem à Madeira* - [Crónica]

 O Airbus A330-300 CS-TOV "Portugal" da Tap - Air Portugal
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* Nota prévia: Crónica com vernáculo.

O gosto pelos aviões é algo mais ou menos indefinível. 
Não existe uma palavra ou expressão que o explique - com algum grau de razoabilidade ou racionalismo - e, por isso, situa-se algures no lugar comum traduzido no: ou se gosta deles ou não se gosta deles.
Há já algum tempo que observar um avião não me causava um arrepio de emoção.
A esta hora poderá haver já algumas almas a dizer ou pensar
- Lá está o gajo, maluquinho, com as merdices que só ele (pensa) que sabe escrever!
mas o que é facto é que gostar de aviões passa por aí, mesmo que nem sejam os aviões
lá vem novo lugar comum
que fazem a minha praia.
Rezam algumas crónicas que, muitos entusiastas, esperaram durante muitos anos que acontecesse ou que a TAP fizesse acontecer este avião, com esta pintura de tempos de antanho.
Finalmente, o avião, o "Portugal" veio hoje aqui à Madeira, muito por obra e graça ou mérito de Éolos que, nos últimos dias, tem baralhado as operações aéreas na ilha, facto que aliado ao atual e algo errático funcionamento intestinal da própria TAP - Air Portugal, conjugou em equação de não impossível resolução, a sua vinda ao "Calhau Autonómico".
Podia agora embrenhar-me em metáforas mais ou menos geopolíticas sobra a vinda da nação à Região Autónoma, mas gosto cada vez menos de sujar palavras e frases que depois custam a limpar.
Voltando ao arrepio, sim, de facto, ver este belo avião causou um arrepio, aquele clique em que voluntariamente se suspende a descrença numa possibilidade e se dá corpo ao legado de Coleridge.
Este avião é uma espécie de viagem no tempo, um lapso sensorial que me fez recuar a 1977 - há mais de 40 anos, raismaparta... - quando pela primeira vez na vida, do alto dos meus oito anos de vida, me vi à varanda do Aeroporto de Lisboa, dito na altura com alguma pompa e não sei se igual circunstância, da Portela de Sacavém - a observar o movimento dos Boeing 707, 727 e 737 da TAP  que tinham nessa altura esta pintura, agora denominada pela expertise de "retro".
A máquina do tempo funcionou, funciona, causa arrepios, aguça a memória, fomenta a paixão pelos aviões e leva ao óbvio da expressão, pouco dada a almas púdicas e sensíveis mas que permite ultrapassar a dificuldade que a erudição convoca quando quer descrever momentos e sensações para os quais falham todas as palavras:
F[]da-se! O avião é lindo!

© AL.2018
Breves considerações sobre  as fotografias:
1. Não possuo meios técnicos garbosos. A minha máquina é básica, já tem uns seis anos e vários milhares de disparos, a lente 70-300mm que usei, só não é péssima porque é a única que tenho.
2. Não possuo domínio de truques de Photoshop suficientes para as tornar mais dignas.
3. Estava calor (23ºC) e muitos aviões no "apron", facto que aumentou a distorção térmica visível em quase todas as fotos.







© AL.2018

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