A PATRULHA DO "OLHAMESTE"!


Há dias, em "patrulha" pelo espaço da escola onde leciono - no âmbito de um projeto para a promoção da disciplina e da convivialidade que integro - abordei dois ou três grupos de alunos (com três ou quatro elementos), todos sentados em locais
 - Porque aqui se apanha net, professor...
específicos do recinto escolar, à sombra, junto ao edifício da escola, cada um empunhando o seu telemóvel, com as caras iluminadas pelo ecrã, devidamente hermetizados num silêncio de paredes.
Parei junto a eles e lancei-lhes a pergunta/provocação
- Vocês sabem que podem falar uns com os outros, conviver, trocar ideias, jogar, brincar...
Eles, mal erguendo as suas caras para mim, regra geral, esboçaram sorrisos mais ou menos acanhados, mais ou menos de circunstância, entre a atrapalhação e um certo
"- Olhameste, olhameste! O que é que este quer agora?!..."
proferiram frases descomprometidas
- Mas ó professor, estamos a falar com amigos que não estão aqui
e outros, residuais e lacónicos
- Oh professor, estou a jogar!
e, portanto, segui caminho ciente de pouco ou nada ter conseguido.
Mas, por breves momentos, fiquei com a pueril sensação de que os surpreendi com uma pergunta que eles, objetivamente, não esperavam que lhes fosse feita, tal é já o grau de incrustação e normalidade a que a sociedade se auto-alienou, em certa medida, com estas plataformas de bem-estar e consecução social
que eu também uso...
e que nos embrutecem da forma "sedutora" e já tão normal e consentida como o fazem.
©AL.2017  

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