O FIM DE MÁRIO

A morte de Mário Soares é normal.
Previsível como é a de qualquer ser humano.
Mas magistratura do tempo é implacável.
Não se lhe escapa de nenhuma forma.
Sou um dos portugueses que reconhece o seu papel na construção do Portugal atual, no que ele tem de melhor - liberdade, democracia, modernidade... - mas também no que ele tem de pior - corrupção, clientelismo e classe política regra geral deplorável e viciada - e nada mais.
Nos próximos dias, o "pior" da morte de Mário Soares não é a morte em si
tão previsível
que é, como já disse, natural.
O pior vai ser o cortejo insuportável de comentadores, hipócritas vários, bajuladores, críticos, todos embrulhados em horas e horas de emissão, a soldo de pesares mais ou menos sinceros; os jornais a fazerem os  mais (a)berrantes títulos, antecipando um pavor nas redações de que o tamanho do papel não seja suficiente para o título, a foto, a expressão, para previsão das vendas que paira sempre em voo de abutre sobre tudo.
Soares foi um homem do seu tempo, cumpriu o seu papel como qualquer outro ser humano cumpre.
Não é Deus.
Por mais que queiram alguns que seja.
Sendo ele um laico e republicano, deixem que permaneça sereno na tumba, alheio à histeria e à mais do que provável (re)escrita da sua História.
Rendo-lhe, sinceramente, o meu Obrigado!
©AL.2017

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