NAS ASAS DO NOVO ANO

A esta hora, partem sucessivos aviões aqui da Madeira, cheios de gente que aqui veio cruzar a passagem de ano, ávida de catarses de vária ordem, coroadas com as mil e uma explosões do fogo de artifício, tão dadas ao exorcismo das perturbações e dos fantasmas que nos assolam e que uma vez por ano queremos tratar de forma mais ou menos natural.
Para além das pessoas que transportam, os aviões vão cheios dos planos, esperanças, boas vibrações que as acompanham, depois de juntas as aparas da alegria de passar mais um ano, eles e elas todos sentados nas cadeiras, esticando as pernas no parco espaço entre os lugares, lobrigando olhares acanhados e distantes para lá do duplo vidro das janelas, por cima da paz das nuvens, espreitando o que guarda o segredo do para lá da linha do horizonte. 
Tudo voa com tudo o que as pessoas buscam, entre o simbólico e o concreto.
Ao chegarem aos seus destinos, os aviões rapidamente se esvaziam e tudo o que neles existia, porque surge a pressa de regressar às estruturas
umas mais consentidas do que outras
que nos seguram e mantém vivos.
Até que mais 365 dias passem para
a suprema magistratura do tempo, lá está...  
que tudo se repita e tudo encaixe nas nossas áreas de conforto, mais ou menos pacíficas, mais ou menos boas conselheiras do nossos espelhos e do nossos sonos.
©AL.2017

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