MORRER TODOS OS DIAS


Morro todos os dias de tantos lugares.
Eles desfazem-se nas voltas dos relógios
Não me perguntam pelo aperto na alma
Viram costas e demandam as suas próprias ausências
Respeitam apenas os seus silêncios
Escrevem apenas solitários as suas histórias 
Isolam-me de um enredo de filme
Afastam-me escondendo palavras no saco dos desesperos
Embrulham a cor do ar na paleta dos nadas
Não pegam nos pincéis que não existem.

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Morro todos os dias de tantos lugares.
Subtraio-me à geografia do mundo
Arredo-me do calor dos vivos
Fujo dos frios arrepios dos que já partiram
Esqueço as voltas da escrita na ponta dos lápis
Apago os desenhos que não chego a fazer
Esgrimo os ponteiros dos relógios que me cercam
Escondo-me nos cantos dos muros que me rodeiam
Calo o tremendo ruído das minhas revoltas
Sufoco com zelo a minha ausência de mim.

©AL.2017 

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