AS ALTERNA(TIVAS) AO COMBOIO NO OESTE

 Foto: Sandra Ribeiro/Público

Nota: Esta crónica foi publicada na "Gazeta das Caldas", na sua edição de 12 de maio passado, uns bons 13 ou 14 anos depois da última vez que o fiz. Reporta-se a uma dor já de antanho de que a famigerada Linha do Oeste já enferma.
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Têm sido algo recorrentes as falhas na operação de comboios na Linha do Oeste, por avarias nuns casos e escassez de material circulante noutros, situações que são amplamente divulgadas na Gazeta das Caldas. 
Mas é preciso ver as coisas com clareza e despidas de paixão, digamos.
Não há comboios para Coimbra? E o que é que isso interessa?
Mas há isto tudo, repara-se.
Existe a A8. Basta seguir nela até Leiria e depois ir apanhar a A1 até Coimbra (sul ou norte, conforme dê mais jeito) ou... como país rico que somos, ir pela A8 até Leiria, depois continuar pela A17 até ao cruzamento desta com a A14 perto da Figueira da Foz e seguir então pela dita A14 até Coimbra...
E ainda, como dizia o Carlos Cruz no 1,2,3; seguir pela A8 até Leiria, apanhar a A1 até Condeixa, aí virar para o interior pela A13-1que está às moscas e chegar à A13 que segue depois até à entrada Sul de Coimbra.
Mas há mais, mesmo andando para trás mas com o acréscimo de beleza paisagística, pode seguir pela A15, a sul de Caldas da Rainha e já perto de Santarém, apanhar a A1 até Coimbra, com o bónus da subida da sempre majestosa da Serra d'Aire e Candeeiros! Mas se não for pela A1, que tem muito trânsito, pode sempre apanhar a A23 e pouco depois do Entroncamento – esqueça que lá há comboios, eles não interessam para aqui – apanhe a A13 e siga calmamente até à entrada sul de Coimbra. Com sorte cruzar-se-á com meia dúzia de automóveis e, por isso terá a sensação de ter uma auto-estrada só para si. Coisa de rico! A parte das portagens é do foro psicológico e passa com o tempo…
Calma, há mais. Não se precipite já!
Se quiser fazer turismo, levar com camiões, rotundas e semáforos e serviço de massagens – efetuados nos próprios carros derivado ao precário estado das vias e do seu traçado sinuoso ou, em caso de desespero, pelas inúmeras profissionais disponíveis sobre latões e sofás abandonados na berma das estradas, com as ditas senhoras desprovidas de contabilidade organizada que por isso o livram de dores de cabeça com a Autoridade Tributária e a declaração de rendimentos e despesas - é seguir pelas nacionais, rezar para não sofrer nenhum acidente e pode sempre parar em qualquer lado para alívio de líquidos e de sólidos num matagal à escolha.


Quem disse que não há alternativas ao comboio? Há e muitas!
Portanto, esses senhores da CP são pessoas que só pecam pela algo notória incapacidade para comunicar porque, em bom rigor, eles sabem que há alternativas que os aliviam da pressão de pensar as coisas sobre carris, como seria de esperar e para a qual são pagos.
O que se conclui é que as pessoas (“passageiros” não, “clientes”) são é preguiçosas. Tem GPS nos seus veículos ou telemóveis e neles basta introduzir dados, escolher o trajeto e ir. 
Não querem é conduzir nem pagar as portagens. Querem é ir de rabinho a abanar nas carruagens e a assimilar com candura os traços da paisagem sem serem chateados.
Cambada de preguiçosos e de forretas!

AL.2017

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