A NECESSIDADE


O meu progressivo afastamento da exposição pública - a possível e que é proporcionada pelas redes sociais e pelos blogues que frequento e/ou mantenho - radica apenas na plausibilidade de uma explicação.
Tenho vergonha de escrever! 
Como nada ou quase me interessa, deixei de ter a "necessidade" de emitir públicos juízos sobre as coisas, como antes acontecia. O meu crescente desinteresse pelas coisas e ainda mais pela emissão pública dos meus juízos sobre as essas coisas, tem crescido sem paragens contemplativas. Uma "descoisificação", bem vistas as... coisas!
A publicação do meu livro, há ano e meio, foi a sentença de morte na minha vontade de escrever.
A frase é tão dura e agreste como verdadeira.
É a brutalidade da magistratura do tempo!
De então para cá, nunca mais consegui escrever com a fluência e a facilidade, até, com que o fazia.
Quando penso em escrever, quase entro em pânico porque sei que o que escrever vai ser uma iminente merda. 
Foi como se a "missão" de escrever um livro, uma vez cumprida, não permitisse concorrente, uma espécie de aviso para a posterior impossibilidade da escrita. Parece não ser coisa que me esteja reservada para além do "milagre" já acontecido.
Ando às voltas - digo eu por vezes para me tentar enganar - com um putativo segundo livro. 
Mas verto sobre ele desprezo e raiva contínuos e crescentes, temperados com revolta azeda... E muito muito antes de o considerar sequer alinhavado, já o sentencio de aborto.
Vive-se muito mal com esta "digestão", com esta não gravidez.
Estou a precisar de "desaparecer".
AL

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