COIMBRA



Coimbra não desilude, digamos.
Quase tudo nela permanece no seu sossego de séculos.
A cidade mantém-se, como sempre, vergada à sua imagem de "senhora idosa" saída de um cabeleireiro, temendo os ventos na laca borrifada num bailado de braços.
Quando lhe assobiam, finge que não ouve. Se não lhe dizem nada, tenta chamar a atenção com o seu andar de avestruzes, nem se apercebendo estar a ser ultrapassada pelas mais novas, viçosas, arrojadas, destemidas.
Coimbra continua, portanto, igual a si mesma.
Demasiado conservadora, umbiguista, em bicos de pés, cheia de rugas, presunçosa, decadente, mas até nisso e também por isso, bela!
Se não fosse assim, não seria tão bom regressar-lhe.
©AL.2017  

Comentários